Perdas


  1. A IMPORTÂNCIA DA MICROMEDIÇÃO NO CONTROLE DE PERDAS
 1.1.       Histórico:

            Inicialmente, vamos nos reportar a um passado um pouco remoto, para sentirmos a grande importância que tem a micromedição no controle das perdas.
             
              Em Roma, aproximadamente entre 35 a 104 d.c, o imperador romano Nerva nomeou um dos seus grandes auxiliares, Sextus Frontinus, para descobrir por que a cidade, mesmo com vários reservatórios de água, vinha sofrendo com a falta do precioso líquido.

              Após compor sua equipe técnica, Frontinus “caiu em campo” e procurou levantar os motivos que estavam causando tanta falta dágua.
Pois bem, concluído o relatório, Sextus descobriu que os maiores causadores da falta dágua em Roma eram os seguintes:

v       Vazamentos no sistema adutor (nas adutoras);

v       Havia ligações clandestinas (dos consumidores);

v       Havia novas ligações liberadas por funcionários da própria empresa, deixando outras que tinham débitos e estavam cortadas nos mesmos lotes (dois ramais);

v       Havia ligações liberadas sem hidrômetro, com beneplacência de funcionários (ligadas diretas).

De posse das informações ou dos motivos que estavam levando Roma ao colapso, no Abastecimento Dágua, Sextux intensificou as fiscalizações e otimizou  todo o sistema de hidrometração nas penas dágua  (naquela época se chamava assim os ramais).

                        O resultado não poderia ter sido outro:  a cidade passou a ter mais água, diminuiu o bombeamento do sistema distribuidor de água, não precisou ampliar os sistemas existentes e, consequentemente, se arrecadou muito mais, em razão do cadastramento e das regularizações das ligações e religações clandestinas. 
                        Portanto, está mais que provado que a micromedição é, sem   dúvida, um dos recursos mais importantes para se diminuir as perdas num sistema operacional de uma empresa de saneamento.

                        Não obstante a tudo isso, é preciso que se tenha o gerenciamento dos sistemas, no sentido de se conhecer todos os volumes produzidos, distribuídos e consumidos  pelos usuários  cadastrados na empresa.

                        Não adianta  construir obras, objetivando aumentar a produção de água, ou seja, ampliação, reservação e distribuição, se não tivermos um controle efetivo das perdas dos volumes produzidos e conseqüentemente distribuídos, num sistema de saneamento básico.

1.2 As Eventuais Perdas no Sistema de Abastecimento de Água.

                    São vários os setores onde ocorrem as perdas num sistema operacional de água. Podemos enumerar os seguintes:
                                  
Adução – Condutor ou canalização onde a água é conduzida ou onde percorre, buscando um sentido.

Causas principais ou mais comuns:

v    Rompimento ou estouramento devido às altas pressões na rede;
v    Falta de acompanhamento de manutenção nas redes e adutoras;
v    Danificação nas redes, causadas por tráfego de veículos;
v    Acomodação do solo;
v    Materiais de má qualidade;
v    Água com grande teor corrosivo;
v    Imperfeição no assentamento da tubulação. 
                                              
Eta – Estação de tratamento de água.

Causas principais ou mais comuns:

v    Falha na elaboração do projeto da ETA;
v    Desqualificação do operador dos equipamentos;
v    Impermeabilidade nas partes ou nos setores acomodantes de água: reservatório, decantadores, etc;
v    Equipamentos com defeitos ou de má qualidade;
v     Falta de comunicação entre funcionários ligados ao setor operacional.
Reservação –  Reservatório onde se acumula ou se guarda água para posterior distribuição. As perdas nesse setor são semelhantes às da ETA.
Rede de Distribuição – Pode-se entender como a que se destina à distribuição da água. Em geral, situa-se no perímetro urbano, onde será sangrada para comportar ou acomodar os ramais prediais.

Causas principais ou mais comuns:

v    Quebra da tubulação;
v    Quebra no colar de tomada fixado para ligações;
v    Vazamentos embutidos, jorrando para galerias.

Ramais Prediais – Canalização que parte da rede de distribuição de forma reduzida, isto é, o diâmetro do tubo é inferior ao da rede, e se destina a abastecer o lote do solicitante (consumidor).
   
Causas principais ou mais comuns:
   
v    Ligações mal feitas;
v    Os ramais são em geral de 20mm, ficando muita vezes expostos;
v    Quebra nos ramais.
v    Etc.

Consumidores – Entende-se como sendo consumidores todas as unidades que se utilizam ou desfrutam dos serviços da Cagepa, ou seja, absorvem o produto final fornecido pela empresa, que todos nós sabemos que é a água tratada. Pois bem, é exatamente dentre esses consumidores que vamos encontrar as maiores perdas de água. Vamos enumerar abaixo as principais causas de perdas que ocorrem nessas unidades.

Causas principais ou mais comuns:

v       Desperdícios nos consumidores s/ hidrômetros;
v       Desvio de água ( By-Pass );
v       Vazamentos internos nos consumidores medidos;
v       Vazamentos internos nos consumidores não medidos;
v        Hidrômetros c/defeitos,  cobrando-se a média, inferior ao consumo real;
v       Etc.

1.3  A Extensão do problema: 
                           
                        Como se de trata de perdas, podemos dizer que isso pode comprometer qualquer empresa, tornando-a inviável economicamente, financeiramente e institucionalmente.

                        Por isso, não tenho a menor dúvida que o caminho a ser seguido é o da micromedição, para se ter um efetivo gerenciamento do produto distribuído à população, de forma que esse produto medido seja compensador, no tocante ao custo/benefício (o que se gasta com o benefício e o que se lucra com esse benefício).

                        Temos que entender ou comparar a empresa de saneamento como se fosse uma indústria de beneficiamento de água e, em razão disso, ter o conhecimento do volume que se produziu e o que se vendeu, no intuito de que com isso possamos racionalizar todos os custos operacionais da produção do produto final, que é a água tratada de boa qualidade, para se chegar ao conhecimento da viabilidade econômica e financeira da empresa, a fim de que possamos investir mais nesse setor, que é de suma importância para a população.

1.4 A Abrangência dos Impactos Causados pelas Perdas

                    Como já foi dito anteriormente, são vários campos ou setores atingidos pelo mau gerenciamento do controle de perdas. Podemos enfatizar alguns de maiores relevâncias que são, no meu entender, os mais vulneráveis ou mais atingidos pelo alvo das perdas, dentro dessa análise preliminar.
                   
                    Nesse aspecto, entendemos como setores atingidos os seguintes:

Impacto Econômico – Temos visto ao longo de nossas experiências no dia a dia, períodos de crise de abastecimento dágua, isso muitas vezes por questões climáticas ou por outros fenômenos.

                    Para se tentar resolver tais problemas, busca-se muitas vezes, ampliar-se as unidades produtivas de água, que são: reservação, tratamento e distribuição, gastando-se elevadas quantias de dinheiro, elevando-se os investimentos em altos custos, desnecessariamente. Pois se se buscam racionalmente o caminho do controle das perdas se resolveria o problema com baixo custo financeiro e consequentemente se adiaria por muito tempo os investimentos nesses setores de produção.

Impacto Financeiro – O elevado índice de perdas compromete as  empresas, porque se investe muito com energia, produtos químicos e pessoal. De forma que o volume faturado - o que se vende,  fica bem inferior ao que se produz, - é o que podemos chamar de perdas, dentro do custo-benefício, o que  inviabiliza totalmente a empresa, tornando-se cada vez mais acentuada essa tendência, surgindo então os desgastes nas hastes administrativa, econômica e financeira.

1.5 A Matemática das Perdas
                 
         O indicador perdas é, nada mais nada menos, que um indicador que pode medir o grau de eficiência operacional e comercial de uma empresa. É com base nele que podemos medir a viabilidade econômica e financeira de uma empresa.

          Para se conseguir obter esse índice, é muito simples: basta fazer em porcentagem a seguinte operação: pega se o volume de água produzido e diminui-se dele o volume faturado; divide-se então o quociente pelo volume produzido, o resultado obtido equivale à perda em %.

               Ex: Tomamos como parâmetro dados fornecidos pela Subgerência de Controle Operacional das Espinharas, - SPES, onde nos foram fornecidos os dados relativos ao mês de Junho/2009, - dados oficiais - pelos quais podemos ter uma idéia de quanto é perdido em termo do volume de água produzido, como vamos ver na operação, aqui expressa.

Vejamos a seguinte operação:

v        701.640,00  (volume Produzido)          
       -   359.680,00  (volume Faturado)    
            
    = 341.960,00 =  Quociente = Perda Física

   Perda Física = 341.960,00 m3

   Perda Percentual = 51,26 %
  
            Hoje, no Brasil as empresas de saneamento vêm se preocupando cada vez mais com essa questão, pois se analisarmos bem é a mesma coisa de se jogar dinheiro no mato, ou seja, é gastar com energia, produtos químicos, transportes e mão-de-obra, sem falar nas dificuldades de atender a população, quando se sabe que a demanda aumenta cada vez mais com o crescimento da população. Daí, para que possamos evitar grandes prejuízos, tanto material quanto administrativo e financeiro, temos que nos direcionarmos para o caminho do equilíbrio, otimizando os seus processos. Evidentemente, que só se alcançará tais propósitos se tivermos um efetivo gerenciamento do sistema de micromedição dos consumos de água, em todas as esferas demandadas: residencial, comercial, industrial e público.
  
Conclusão:

                   Foram citados alguns aspectos inerentes à macromedição (água produzida, medição de grandes volumes), para podermos ter uma pequena noção da origem do caminho que a água percorre até o seu objetivo final, que é servir ao consumidor. Porém, o nosso objetivo é buscar repassar para os nossos colegas de empresa, principalmente os que estão chegando agora, da importância de nos preocuparmos com os desperdícios de água (as perdas), por entendermos que elas são as responsáveis pela inviabilização de qualquer empresa de saneamento.

                           Nesse aspecto, procurei visualizar em poucas linhas o que se pode fazer para evitarmos prejuízos, tanto financeiro, econômico e administrativo, buscando-se o caminho certo; o caminho da viabilidade técnica; o caminho do equilíbrio operacional e racional, onde, com cautela, se encontrará a solução de vários problemas que afetam as empresas de saneamento ao longo do tempo.

     Finalizando, peço a todos que compõem essa empresa, que é nossa, pois é dela que tiramos nossa sobrevivência financeira; e é dela que mantemos o sustento de nossas famílias, que se atenham para o problema, pois é de todos nós a obrigação de evitarmos os desperdícios, ou seja, as perdas de água.

                   Temos o dever de colaborarmos nesse sentido, para que se evitem os desperdícios, começando pelas nossas próprias casas, consertando possíveis vazamentos, comunicando a empresa sempre que soubermos da existência de vazamentos em ramais ou em outro local qualquer. O importante é que tenhamos consciência da responsabilidade que carregamos por sermos membros de uma empresa de saneamento básico ( a CAGEPA ).